Prefácio
José Manuel Oliveira, professor jubilado é sinónimo de coragem, verdade e sagacidade crítica à sociedade actual. É com este espírito satírico sempre atento às realidades e discrepâncias múltiplas que nos rodeiam que mergulhamos na sua poesia, para degustarmos cada poema e saborearmos às vezes amargamente, os versos que tão bem retratam a cena política e social vigente.

A sua poesia constrói-se pelo olhar atento, pela observação acutilante dos detalhes, por vezes cáusticos, por vezes irónicos que nos alertam para as injustiças do dia a dia. 

As vicissitudes da vida contribuíram para lapidar a sua escrita, abordando e explorando um universo de temas, desde a corrupção do sistema à indiferença das massas que a ele se submetem pacificamente, à brandura dos costumes há muito implantada, levando-os a tudo aceitar sem reclamações de maior, pois é muito mais fácil não termos de decidir.

O universo poético é vasto em reflexões que nos orientam e encaminham para aspirarmos a um mundo melhor e mais justo. Estas ideias são visíveis na maioria dos textos.

O amor não podia deixar de ser incluído deste universo de sonho. A abordagem dos afectos faz-nos mergulhar num oceano nostálgico evidenciado pelos amores impossíveis, com as estórias que se entrecruzam, se integram, se complementam e conferem vigor e autenticidade aos sentimentos sonhados, por isso mesmo nunca alcançados.

Também as peripécias do quotidiano não fogem ao seu olhar perspicaz de lince: “… a gorda com as argolas de ouro baratas… sai um pernil…”

Bom mesmo é a reciprocidade, é lermos algo e reconhecermo-nos e identificarmo-nos com o que lemos. Bom mesmo é perceber que o autor é gente como a gente, que sofreu, que superou adversidades e que ainda tem acapacidade de sonhar e almejar uma sociedade mais justa e equitativa.


Anamar 

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