Editorial

 

Bem-vindos ao Quarto número de Segunda Série de o Fio de Ariadne. O lançamento deste número vem com um pedido de desculpas pelo atraso, que não é a suspensão da revista para mais uma série.


Este atraso deveu-se essencialmente em estarmos preocupados com o lançamento de três livros, que tornam o Fio de Ariadne, além de uma publicação de poesia, uma editora, pequena, é certo, mas ainda assim uma editora.


 Publicámos uma edição bilingue de Peças Quebradas, um livro de Andi Jarrett-Johnson, uma autora que eu conhecia em Inglaterra e que é senhora de uma poesia extremamente forte, que dificilmente deixará de nos tocar; publicámos Uma Estação de Pássaros, da minha autoria, feito de poemas escritos durante a minha estadia de 15 anos em Inglaterra, mas todos em versão Portuguesa; publicámos igualmente Oratórias de José Guardado Moreira, poeta meu amigo há mais de 20 anos, autor de 10 livros de poesia, 1 de teatro, 1 de contos e 1 ensaio, tendo recebido em 1985 o Prémio de Teatro APE/Rádio Comercial.


Juntamente com este lançamento, lançamos o meu livro As Remotas Costas de Ítaca, que contém alguns dos meus melhores poemas, e o livro Poemas do Sonho de José Oliveira, poeta que deverão conhecer das noites de poesia do Bota e outras. Com este último livro, optámos pela opção, ainda não testada. De oferecer o livro em encadernação térmica em vez de usarmos folhas A5 agrafadas ao meio.


Até ao momento, apenas temos publicado edições de poesia, mas usaremos a encadernação térmica para começarmos a publicar outros géneros, que necessitam de mais espaço, tais como romances e contos. Temos previsto para lançamento em breve um livro de Contos de Anna Sanders, de quem já conhecem alguns contos de O Fio de Ariadne, bem como um romance meu, que é uma sequela de O Segredo do Cavaleiro, romance publicado em 2006 pela Oficina do Livro.


O Fio de Ariadne oferece, a partir deste momento, 5 livros de poesia, a que se seguirão mais, sendo nossa ideia de que Portugal é um país de poesia e que poesia é uma área de actividade em que vale a pena investir. Preocupámo-nos primeiro com utilizar a tecnologia que já tínhamos testado com a revista, mas chegou agora a altura de nos expandirmos.
Expandir a nossa área de actividade não quer dizer que queiramos cancelar ou modificar em alguma coisa o Fio de Ariadne. É nossa ideia que a revista tem o formato e a extensão que melhor pode acomodar os nossos interesses.
É uma revista de 60 páginas A5, descobrimos que a poderemos fazer crescer um pouco mantendo o mesmo modo de impressão, contendo poesia, ficção e artigos e não contendo publicidade que não a si própria. A revista apresenta cerca de 10 autores diferentes a cada publicação, um número que variará de acordo com os conteúdos obtidos, sendo maioritariamente de poesia. Os autores escolhidos são ou autores já publicados, autores conhecidos de noite de poesia ou, então, autores que eu pessoalmente conheço, todos eles garantindo a qualidade apresentada. É nossa opção, desde o princípio, de não seguir por escolas e, no caso, publicar independentemente de escola. Isto não quer dizer que escolhemos não publicar algo porque mostra pertencer a uma escola, mas que escolhemos publicar algo apesar de pertencer a uma escola, se nos mostra uma visão de poesia tal como nós a entendemos.


No nosso ponto de vista, sumarizando uma explicação que poderia ser muito longa, poesia é essencialmente uma espécie de fotograma emocional de uma realidade presente, passada ou futura, que nos faz viver, com o poema. Aquilo a que o poema se refere. Se esse fotograma tem uma afirmação realista, surrealista ou outra, desde que nos pareça bom nós publicamos.


Chamaria, neste número, atenção para alguns detalhes: Cópia Pirata, de Catarina Munhá, é a letra de uma canção por ela cantada ao piano na Noite de Poesia do Bota e de que eu lhe pedi o texto. Parece-me bom enquanto poema. Ouvi Lafayette Alves Júnior lendo o seu poema Ariadne numa noite de poesia em Almada e pedi-lhe que o enviasse, tanto mais que o título parece ter algo a ver com o título da revista. Ouvi Pica Lima ler o poema Pornografia numa noite de poesia onde também eu era um poeta convidado. Não resisti a pedir-lhe que mo enviasse. Desta vez, não publiquei um artigo meu. O meu amigo Ivo Dias de Sousa enviou-me um texto com o título de Poemas Recauchutados onde põe em prática o usar alguns poemas de Pessoa como máquinas de produzir sentido, produzindo poemas de sentido diferente se o input for alterado. A ideia pareceu-me fascinante, mas não me pareceu que pudesse usar o seu texto como poesia, sendo ensaio o seu lugar. Claro que este ensaio é um esboço de ensaio que deveria ser mais explorado, também utilizando vários autores. No caso do Ivo, ele tem exemplos com vários autores.


Com isto, temos o quarto número de Segunda Série da revista, sublinhando que este número é um recorde, a Primeira Série só foi até ao número 3. Com o número 4, garantimos que continuaremos a publicar a revista e aproveitamos para informar que o número 5 será o nosso primeiro número temático. O tema do número 5 será a COVID. Podia de facto ter escolhido outro tema, que, nos tempos que correm, não há falta deles, desde a Guerra na Ucrânia, em Gaza, as eleições nos Estados unidos, e sei lá que mais, mas parece-me certo que a COVID seja o tema.


Terminando este editorial que já vai longo, resta-me prestar os meus agradecimentos a todos os Amigos de Ariadne que tornaram possível e mais fácil o trabalho de editar esta revista, com especial menção para Anna Sanders, Luís Serra-Santos e Luís Vale, não esquecendo todos os outros que ajudaram a tornar este sonho real.

 

Armando Halpern

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