Editorial
Este é o número 3 de O Fio de Ariadne, assinalando a entrada do Outono. É a modos que obsessão da revista publicar um número por cada mudança de estação e um número mais, o único número temático do ano.
Este ano, parece-nos que as circunstâncias tiveram por nós um papel decisivo quanto às escolhes que poderíamos fazer, e assim o número 5, o número temático do primeiro ano, será dedicado ao tema do covid. Não é uma questão de escolha, diria eu, mas antes de audência de escolha. Acaso poderíamos nós escolher um tema como o Amor ou algo assim?
Chegámos, de qualquer forma a este número 3 seguindo um persurso atribulado que é gémeo do nosso empenhamento. Empenhamento em produzirmos uma revista concentrada em poesia, mas não limitada a ela, com um espaço dedicado a contos e outro a artigos, que terão de ser melhor usados, apostando na qualidade dos textos publicados, negando filiação a qulquer escola ou corrente, mas procurando uma qualidade evidente.
O percurso atribulado da revista tem passado até agora por dois lançamentos muito diferentes, sendo o lançamento do número 1 um lançamento a não esquecer e o lançamento do número 2 um lançamento miserável. Eu escrevi este editorial não sabendo como irá ser o terceiro lançamento, mas espero que valha a pena, e, de facto, apresentar ao público uma revista de poesia tem a ver com estes ciclos.
Além da actividade de lançamento da revista, apercebemo-nos de uma lacuna existente no contexto das noites de poesia porque as mesmas, com muito raras excepções, pareceram tender para acabar como consequência da pandemia. Partindo do princípio que aquela frase de Jesus Cristo “Quando estiverem dois ou três reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” Também se pode aplicar à leitura de poesia e, nâo sendo eu católico, sempre gostei dela.
Criámos, assim, as Noites de Poesia de O Fio de Ariadne, neste mesmo espaço, dedicadas à leitura de boa poesia num ambiente acolhedor, estando definida uma sessão para a segunda terça feira de cada mês.
Garanto pessoalmente que ninguém será forçado a comprar uma revista na Noite de Poesia, embora tenhamos revistas para vender. Também, garanto que continuarei a dar o meu melhor para promover esta revista e, com ela, a poesia e a ficção que se faz em Portugal. Vale a pena.
Armando Halpern